RITIDOPLASTIA (rejuvenescimento facial)

O processo natural de envelhecimento associado a fatores genéticos e ambientais, principalmente a exposição solar, causam rugas e flacidez facial.

Não se trata apenas de alterações da estrutura e aspecto da pele, mas também dos tecidos subjacentes, como o tecido adiposo (gordura), músculos e tecidos de sustentação.

Em um indivíduo jovem a face é firme, possui contornos bem definidos e pele elástica, com apropriada quantidade de tecido adiposo e tônus muscular, que lhe conferem uma sustentação adequada. Com o passar dos anos, a gordura se atrofia em alguns locais e tende a se tornar mais proeminente em outros; os músculos e os tecidos fibrosos de sustentação se tornam mais flácidos; a pele se torna menos elástica e redundante.

A ritidoplastia, também conhecida como cirurgia do rejuvenescimento facial ou “face-lifting”, visa tratar não somente a pele, mas também as estruturas profundas da face e pescoço, procurando, através do reposicionamento das estruturas e remoção dos tecidos excedentes, proporcionar uma face de aspecto mais saudável e jovial. Pode ser realizada de maneira completa ou parcial (“mini-lifting”), na medida da necessidade de cada paciente.

 Orientações básicas

Riscos. A ritidoplastia possui os mesmos riscos de quaisquer outras intervenções do seu porte, riscos esses que podem ser minimizados através de um bom planejamento cirúrgico. O procedimento deve ser feito em ambiente hospitalar por um cirurgião plástico devidamente qualificado.

Idade. Não existe uma idade ideal para a realização de uma ritidoplastia, estando indicada quando houver alterações estéticas na face a serem corrigidas. Em geral, a ritidoplastia completa é realizada a partir dos sessenta anos de idade. Contudo, variações individuais podem ocorrer.

Cicatrizes. As cicatrizes são posicionadas no couro cabeludo e ao redor das orelhas, em regiões que dificultem a sua visualização. Abordagens complementares utilizadas em substituição às cicatrizes clássicas podem ser indicadas, conforme a necessidade de cada caso. A evolução das cicatrizes passa por várias fases, que incluem a modificação da sua cor, forma e textura, tornando-se definitiva entre o décimo segundo e décimo oitavo mês após a cirurgia. Insensibilidades e pruridos podem ocorrer e são transitórios. Até que as cicatrizes completem a sua evolução, recursos cosméticos, como maquiagem e penteados adequados podem ser utilizados visando disfarçá-las. Devemos considerar, entretanto, que todas as cicatrizes são permanentes, e que terão uma evolução variável, conforme características individuais de cada paciente.

Anestesia. A ritidoplastia pode ser realizada com anestesia local e sedação ou anestesia geral.

Tabagismo. Pode influenciar direta e negativamente o resultado da cirurgia. Deve ser evitado ou reduzido ao mínimo.

Dor. Geralmente o desconforto é bem tolerado e controlado com analgésicos e anti-inflamatórios.

Internação. Na grande maioria dos casos, o período de internação será de um dia. Providencie um acompanhante por ocasião da alta. É aconselhável levar óculos escuros e lenço para a cabeça.

Duração da cirurgia. Uma ritidoplastia dura em torno de quatro horas, considerando-se como sendo ato cirúrgico o período da efetiva realização da intervenção. Esse tempo pode variar de acordo com a necessidade de cada caso ou em decorrência das associações cirúrgicas. Não deve ser aqui considerado o período de preparo pré e pós-operatório, e nem o período em que o paciente permanecerá na sala de recuperação.

Máscara. Uma máscara facial será utilizada a partir da retirada do enfaixamento, no segundo dia de pós-operatório.

Drenagem linfática. A drenagem linfática auxilia na evolução pós-operatória reduzindo o edema, as manchas roxas (equimoses) e a fibrose. Indicamos a sua realização com três semanas de pós-operatório.

Resultado. O resultado dessa cirurgia não pode ser medido em número de anos que se espera rejuvenescer, pois essa percepção é variável e subjetiva. Mesmo transcorrido um longo período após a realização da ritidoplatia, estando a face operada já envelhecida, seu aspecto ainda assim será mais jovem e melhor do que estaria se não tivesse sido operada. Nos primeiros dias é usual a ocorrência de edema (inchaço) e áreas de equimose (mancha roxa), assim como alterações de sensibilidade, áreas de induração e assimetrias discretas, todas elas de natureza transitória. Alterações da motricidade são raras e igualmente transitórias. A drenagem linfática e os exercícios físicos orientados auxiliam nessa evolução. Nunca se deve considerar como definitivo qualquer resultado antes de seis a nove meses do pós-operatório. Mesmo depois de transcorrido esse período, a cicatriz continuará evoluindo aproximadamente até o décimo oitavo mês de pós-operatório.

Associações cirúrgicas. São muito comuns, principalmente com a blefaroplastia (plástica das pálpebras) e a lipoaspiração. Veja as orientações relativas à blefaroplastia no capítulo específico, como o uso de compressas e colírios.

Procedimentos complementares. Mesmo após a realização de uma ritidoplastia bem sucedida, procedimentos complementares como peelings, preenchimentos, aplicação de Botox, e outros, podem ser necessários visando obter um resultado ainda melhor.

 PRÉ-OPERATÓRIO

O uso rotineiro de qualquer tipo de medicação, doenças prévias e tabagismo deve ser informado. Medicamentos que possam interferir com a coagulação sanguínea devem ser suspensos dez dias antes da data programada para a realização da cirurgia. Comunique qualquer sinal de resfriado, conjuntivite, herpes ou outras infecções que surgirem na semana anterior à cirurgia. Informar a possível coincidência entre a data da cirurgia e menstruação.

Antevéspera da cirurgia

Banhar-se com sabão antisséptico. Higienização habitual dos cabelos.

Véspera da cirurgia

Banhar-se com sabão antisséptico.

Higienizar os cabelos com xampu antisséptico. Não use condicionadores ou cremes.

Jejum de sólidos e líquidos por oito horas antes do horário previsto para a realização da cirurgia.

Evitar refeições de digestão lenta e bebidas alcoólicas.

Dia da cirurgia

Banhar-se com sabão antisséptico.

Higienizar os cabelos com xampu antisséptico. Não use condicionadores ou cremes.

Apresentar-se no hospital na hora programada.

Levar para o hospital os exames pré-operatórios, e conforme cada intervenção, cinta, modelador, meia elástica.

Usar roupas leves, de preferência com abertura frontal.

Não levar para o hospital jóias, relógios ou outros tipos de adereços.

Medicação de uso específico e contínuo, não padronizada no hospital, deverá ser trazida pela(o) paciente.

Levar para o hospital óculos escuros e lenço para a cabeça.

PÓS-OPERATÓRIO

Não se preocupe com as formas intermediárias das diversas etapas do período pós-operatório. Na fase de recuperação é muito importante o controle da dieta, uma vez que a sua atividade física estará restrita. O ganho de peso poderá interferir negativamente no resultado da cirurgia. Pessoas diferentes poderão evoluir de maneira distinta, alcançando o resultado final com maior ou menor rapidez. Esclareça suas dúvidas durante seus retornos.

Movimentação. A movimentação do corpo é livre, evitando-se excessos. Não se levante abruptamente. Movimente todo o corpo quando precisar olhar para os lados.

Alimentação. Procure se alimentar em intervalos regulares, utilizando uma dieta leve nos dois primeiros dias.

Drenos. São utilizados drenos de aspiração contínua, retirados no dia subsequente à realização da cirurgia.

Curativo. Retire o curativo no dia programado, geralmente no segundo dia de pós-operatório, e banhe-se normalmente. Use a máscara facial.

Banho. O banho de corpo inteiro estará liberado no segundo dia de pós-operatório. Os curativos feitos por ocasião da cirurgia devem ser removidos antes do banho.

Cabelos. Os cabelos serão aparados somente nos locais planejados para o posicionamento das cicatrizes, de maneira discreta e muito pouco perceptível. Poderão ser lavados com seu xampu habitual a partir do segundo dia de pós-operatório.

Retorno. O primeiro retorno será agendado entre três a cinco dias após a cirurgia.

Retirada de pontos. Os pontos deverão ser retirados entre quatro e doze dias após a cirurgia.

Máscara, meia. A máscara deverá ser utilizada por três semanas, em média. A meia elástica terá seu uso iniciado imediatamente antes da cirurgia e deverá ser mantida por um período de dez dias.

Sol. A exposição ao sol dever ser evitada por dois meses após a cirurgia. Após esse período, um filtro solar com fator de proteção30 é recomendado.

Atividade física. Liberada após um mês de cirurgia. A atividade física é importante, pois auxilia na reabsorção do edema e no controle do peso.

Posição de dormir. Decúbito dorsal (deitar-se de costas) por cerca de quinze dias. Transcorrido esse período, o decúbito lateral (deitar-se de lado) é permitido. Use travesseiro macio.

Condução de veículo. Após quinze dias de cirurgia.

Retorno ao trabalho. Permitido após quinze dias de cirurgia. Contudo, variações individuais podem ocorrer, principalmente se houver cirurgias associadas, cujo prazo de recuperação será maior.

Vida sexual. Moderada, após quinze dias de cirurgia.