BLEFAROPLASTIA

A blefaroplastia ou cirurgia plástica das pálpebras é a intervenção que corrige o excesso de pele, gordura e a flacidez muscular do território palpebral, podendo, em certos casos, melhorar o aspecto funcional além do estético. A intervenção poderá ser feita em duas ou quatro pálpebras, na medida da necessidade de cada paciente.

Fatores como a idade, características da pele, movimentos de repetição e hábitos de vida podem deixar sinais na área das pálpebras, ocasionando flacidez de tecidos e marcas indesejadas. Essas alterações podem ocorrer devido a fatores clínicos sem que exista a indicação de correção cirúrgica (distúrbios visuais, olheiras, edemas, etc.). Outras vezes, os problemas clínicos estão associados a questões cirúrgicas e, mesmo que as pálpebras sejam devidamente operadas, ainda persistirá um percentual do defeito original decorrente do distúrbio clínico associado.

Algumas rugas, como por exemplo, os “pés de galinha”, são decorrentes da contração de músculos situados ao redor dos olhos. Esses músculos podem ter a sua ação suavizada, mas não podem ser definitivamente bloqueados, pois possuem uma função importante e específica a ser desempenhada. Procedimentos complementares, como a toxina botulínica, poderão ser indicados.

Orientações básicas

Riscos. A blefaroplastia possui os mesmos riscos de qualquer outra intervenção do seu porte, riscos esses que podem ser minimizados através de um bom planejamento cirúrgico. O procedimento deve ser feito em ambiente hospitalar, por um cirurgião plástico devidamente qualificado.

Idade. Não existe uma idade ideal para a realização de uma blefaroplastia. O que determina a indicação dessa cirurgia é a presença do defeito a ser corrigido que, em geral, ocorre após os trinta anos de idade.

Cicatrizes. São muito discretas, posicionadas nos sulcos palpebrais. A evolução das cicatrizes passa por várias fases, que incluem a modificação da sua cor, forma e textura, tornando-se definitivas entre o décimo segundo e o décimo oitavo mês após a cirurgia. Até que as cicatrizes completem a sua evolução, recursos cosméticos, como maquiagem, podem ser utilizados visando disfarçá-las. Devemos considerar, entretanto, que todas as cicatrizes são permanentes, e que terão uma evolução variável, conforme características individuais de cada paciente.

Anestesia. A blefaroplastia geralmente é realizada com anestesia local e sedação.

Tabagismo. Pode influenciar direta e negativamente no resultado da cirurgia. Deve ser evitado ou reduzido ao mínimo.

Dor. Geralmente o desconforto é discreto e bem tolerado, controlado com analgésicos e anti-inflamatórios. Colírios específicos serão prescritos de acordo com a necessidade.

Internação. A alta hospitalar acontece no mesmo dia da cirurgia. Providencie um acompanhante por ocasião da alta.

Duração da cirurgia. Em geral, gira em torno de quarenta minutos para a intervenção em duas pálpebras, ou noventa minutos, para intervenção em quatro pálpebras. Considera-se como sendo ato cirúrgico o período da efetiva realização da intervenção. Esse tempo pode variar de acordo com a necessidade de cada caso ou em decorrência das associações cirúrgicas. Não deve ser aqui considerado o período de preparo pré e pós-operatório, nem o período em que o paciente permanecerá na sala de recuperação.

Drenagem linfática. Indicada nos casos nos quais houver edema e equimoses (manchas roxas) mais acentuados.

Resultado. Nos primeiros dias é usual a ocorrência de edema (inchaço) e áreas de equimose (mancha roxa) ou, em alguns casos, manchas avermelhadas em áreas específicas, todas elas de natureza transitória. Algum grau de edema residual poderá perdurar por até três meses. De qualquer forma, nunca se deve considerar como definitivo qualquer resultado antes de seis a nove meses do pós-operatório. Mesmo depois de transcorrido esse período, a cicatriz continuará evoluindo aproximadamente até o décimo oitavo mês de pós-operatório. A blefaroplastia é uma cirurgia exclusiva da área das pálpebras e, portanto, não haverá o reposicionamento de estruturas próximas a elas, como os supercílios, por exemplo. Existem cirurgias específicas para cada região da face, que podem ou não ser associadas à blefaroplastia.

Associações cirúrgicas. As associações cirúrgicas são comuns, principalmente com a ritidoplastia.

Procedimentos complementares. Mesmo após a realização de uma ritidoplastia bem sucedida, procedimentos complementares como peelings, preenchimentos, aplicação de Botox, e outros, podem ser necessários visando obter um resultado ainda melhor.

PRÉ-OPERATÓRIO

O uso rotineiro de qualquer tipo de medicação, doenças prévias ou tabagismo deve ser informado. Medicamentos que possam interferir com a coagulação sanguínea devem ser suspensos dez dias antes da data programada para a realização da cirurgia. Comunique qualquer sinal de resfriado, conjuntivite, herpes ou outras infecções que surgirem na semana anterior à cirurgia. Informar a possível coincidência entre a data da cirurgia e menstruação.

Antevéspera da cirurgia

Higienizar a face com sabão antisséptico.

Véspera da cirurgia

Higienizar a face com sabão antisséptico.
Jejum de sólidos e líquidos por oito horas antes do horário previsto para a realização da cirurgia.
Evitar refeições de digestão lenta e bebidas alcoólicas.

Dia da cirurgia

Higienizar a face e os cabelos com sabão/xampu antisséptico.
Não use condicionador ou produtos similares.
Apresentar-se no hospital na hora programada.
Levar para o hospital os exames pré-operatórios. Veja orientações específicas para cada cirurgia, se houver associações cirúrgicas.
Usar roupas leves, de preferência com abertura frontal.
Não levar para o hospital jóias, relógios ou outros tipos de adereços.
Medicação de uso específico e contínuo, não padronizada no hospital, deverá ser trazida pela(o) paciente.
Levar óculos escuros para o hospital.

PÓS-OPERATÓRIO

Não se preocupe com as formas intermediárias das diversas etapas do período pós-operatório. Na fase de recuperação é muito importante o controle da dieta, uma vez que a sua atividade física estará restrita. Pessoas diferentes poderão evoluir de maneira distinta, alcançando o resultado final com maior ou menor rapidez. Esclareça suas dúvidas durante seus retornos.

Movimentação. A movimentação do corpo é livre, evitando-se excessos. Não se levante abruptamente.

Alimentação. Procure se alimentar em intervalos regulares, com sua dieta habitual.

Compressas. Nos dois primeiros dias de pós-operatório, sempre que estiver deitada(o), usar gazes umedecidas em Soro Fisiológico gelado sobre os olhos. Mantenha o frasco de Soro Fisiológico na geladeira. Também nos dois primeiros dias, usar bolsa de gelo sobre os olhos três vezes ao dia, durante trinta minutos. A partir do terceiro dia de pós-operatório, substituir a bolsa de gelo pela de água quente, com a mesma frequência.

Banho. O banho de corpo inteiro estará liberado.

Retorno. O primeiro retorno será agendado três a cinco dias após a cirurgia.

Retirada de pontos. Os pontos deverão ser retirados entre quatro e cinco dias após a cirurgia.

Sol. A exposição ao sol deve ser evitada por dois meses após a cirurgia. Após esse período, um filtro solar com fator de proteção 30 é recomendado.

Atividade física. Livre, após quinze dias de cirurgia.

Posição de dormir. Decúbito dorsal (deitar-se de costas) deve ser a posição preferencial na primeira semana. Transcorrido esse período, o decúbito lateral (deitar-se de lado) é permitido. Usar travesseiro macio.

Condução de veículo. Permitida após a primeira semana.

Retorno ao trabalho. O retorno ao trabalho será mais precoce quando a intervenção se limitar às pálpebras superiores, podendo se estender a até dez dias quando a intervenção for sobre as quatro pálpebras.

Vida sexual. Sem restrição.