OTOPLASTIA

A otoplastia ou cirurgia plástica das orelhas é intervenção que procura corrigir as deformidades das orelhas, principalmente as chamadas orelhas em abano. Trata-se de uma deformidade congênita, na qual as orelhas são projetadas anteriormente, afastando-se do crânio. Geralmente é acompanhada do apagamento de algumas estruturas anatômicas do pavilhão auricular, principalmente da anti-hélice, além de outras desproporções.

Possui um traço de hereditariedade e geralmente determina um profundo impacto na imagem do portador dessa conformação. A cirurgia proposta inclui a remodelagem da cartilagem auricular, recriando suas dobras naturais, corrigindo desproporções e reduzindo o ângulo entre a orelha e o crânio.

Orientações básicas

Riscos. A otoplastia possui os mesmos riscos de quaisquer outras intervenções do seu porte, riscos esses que podem ser minimizados através de um bom planejamento cirúrgico. O procedimento deve ser feito em ambiente hospitalar, por um cirurgião plástico devidamente qualificado.

Idade. A idade ideal para se submeter a uma otoplastia está entre cinco e sete anos, período em que as orelhas estão completamente formadas e praticamente iguais ao tamanho daquelas do adulto. Por se tratar de um período pré-escolar, essa também é a ocasião em que se iniciam os problemas de ordem psicológica e social relacionados ao aspecto das orelhas.

Cicatrizes. São muito discretas e posicionadas atrás das orelhas. A evolução das cicatrizes passa por várias fases, que incluem a modificação da sua cor, forma e textura, tornando-se definitiva entre o décimo segundo e o décimo oitavo mês após a cirurgia. Devemos considerar, entretanto, que todas as cicatrizes são permanentes, e que terão uma evolução variável, conforme características individuais de cada paciente.

Anestesia. Essa cirurgia pode ser realizada com anestesia local, anestesia local com sedação para o adulto, e anestesia geral para a criança.

Tabagismo. Pode influenciar direta e negativamente o resultado da cirurgia. Deve ser evitado ou reduzido ao mínimo.

Dor. Geralmente o desconforto é discreto, bem tolerado e controlado com analgésicos e anti-inflamatórios.

Internação. A alta hospitalar acontece no mesmo dia da cirurgia. Providencie um acompanhante por ocasião da alta. Se a opção for pela anestesia local, não haverá internação hospitalar.

Duração da cirurgia. Gira em torno de noventa minutos. Considera-se como sendo ato cirúrgico o período da efetiva realização da intervenção. Esse tempo pode variar de acordo com a necessidade de cada caso ou em decorrência das associações cirúrgicas. Não deve ser aqui considerado o período de preparo pré e pós-operatório, nem o período em que o paciente permanecerá na sala de recuperação.

Resultado. Nos primeiros dias é usual a ocorrência de edema (inchaço) e áreas de equimose (mancha roxa). De qualquer forma, nunca se deve considerar como definitivo qualquer resultado antes de seis a nove meses de pós-operatório. Mesmo depois de transcorrido esse período, a cicatriz continuará evoluindo aproximadamente até o décimo oitavo mês do pós-operatório. Traumatismos sobre as orelhas no período pós-operatório poderão comprometer o resultado cirúrgico, principalmente nos três primeiros meses.

Associações cirúrgicas. As associações cirúrgicas são comuns.

PRÉ-OPERATÓRIO

O uso rotineiro de qualquer tipo de medicação, doenças prévias e tabagismo deve ser informado. Medicamentos que possam interferir com a coagulação sanguínea devem ser suspensos dez dias antes da data programada para a realização da cirurgia. Comunique qualquer sinal de resfriado, conjuntivite, herpes ou outras infecções que surgirem na semana anterior à cirurgia.

Antevéspera da cirurgia

Higienizar a face e as orelhas com sabão antisséptico.

Véspera da cirurgia

Higienizar a face, as orelhas e os cabelos com sabão/xampu antisséptico.

Jejum de sólidos e líquidos por oito horas antes do horário previsto para a realização da cirurgia.

Evitar refeições de digestão lenta e bebidas alcoólicas.

Dia da cirurgia

Higienizar a face, as orelhas e os cabelos com sabão/xampu antisséptico.

Não use condicionadores ou cremes.

Apresentar-se no hospital na hora programada.

Levar para o hospital os exames pré-operatórios. Veja orientações específicas para cada cirurgia, se houver associações cirúrgicas.

Usar roupas leves, de preferência com abertura frontal.

Não levar para o hospital jóias, relógios ou outros tipos de adereços.

Medicação de uso específico e contínuo, não padronizada no hospital, deverá ser trazida pela(o) paciente.

PÓS-OPERATÓRIO

Não se preocupe com as formas intermediárias das diversas etapas do período pós-operatório. Na fase de recuperação é muito importante o controle da dieta, uma vez que a sua atividade física estará restrita. Pessoas diferentes poderão evoluir de maneira distinta, alcançando o resultado final com maior ou menor rapidez. Esclareça suas dúvidas durante seus retornos.

Movimentação. A movimentação do corpo é livre, evitando-se excessos. Não se levante abruptamente.

Alimentação. Procure se alimentar em intervalos regulares, com sua dieta habitual.

Curativo. Retire o enfaixamento no quarto dia do pós-operatório e banhe-se normalmente, incluindo a lavagem dos cabelos com seu xampu habitual. A partir desse dia, use a touca recomendada.

Touca. Deverá ser usada por três meses enquanto estiver em casa, principalmente quando for se deitar.

Banho. O banho de corpo inteiro estará liberado após a retirada do enfaixamento.

Retorno. O primeiro retorno será agendado por volta do sétimo ao oitavo dia após a cirurgia.

Retirada de pontos. Os pontos deverão ser retirados entre o sétimo e o oitavo dia após a cirurgia.

Sol. A exposição ao sol dever ser evitada por dois meses após a cirurgia. Após esse período, um filtro solar com fator de proteção30 é recomendado.

Atividade física. Moderada, após um mês da cirurgia, evitando-se qualquer tipo de traumatismo sobre as orelhas.

Posição de dormir. Decúbito dorsal (deitar-se de costas) deve ser a posição preferencial nas primeiras três semanas. Transcorrido esse período, uma discreta lateralidade do corpo é permitida. Use travesseiro macio.

Condução de veículo. Livre.

Retorno ao trabalho. Após a retirada do enfaixamento, por volta do quarto dia de pós-operatório.

Vida sexual. Sem restrição.