RINOPLASTIA

A rinoplastia ou cirurgia plástica do nariz é a intervenção que, através da remodelagem e reposicionamento das estruturas nasais, procura corrigir discrepâncias e desproporções existentes no seu contorno e a obtenção de uma melhor aparência e harmonização com o restante da face. A rinoplastia reconstrutora é a mais antiga cirurgia plástica descrita na literatura. Trata-se de uma cirurgia minuciosa, que exige um conhecimento preciso de anatomia e um senso estético apurado. As alterações funcionais, se existirem, poderão igualmente ser corrigidas. Para cada caso haverá um planejamento específico, que será discutido previamente com a(o) paciente, que terá a oportunidade de participar e expor as suas preferências estéticas.

Orientações básicas

Riscos. A rinoplastia possui os mesmos riscos de qualquer outra intervenção do seu porte, riscos esses que podem ser minimizados através de um bom planejamento cirúrgico. O procedimento deve ser feito em ambiente hospitalar por um cirurgião plástico devidamente qualificado.

Idade. A rinoplastia estaria indicada a partir dos dezessete anos de idade, quando as estruturas ósseas e cartilaginosas da face como um todo estiverem totalmente desenvolvidas. Variações individuais poderão ocorrer.

Cicatrizes. São mínimas. Em geral, há uma cicatriz única da base da columela (estrutura entre as narinas). Em alguns casos, poderá ser necessário o acréscimo de uma cicatriz na base das narinas, quando houver a necessidade de diminuir a dimensão destas. A opção, conforme o caso, poderá ser a abordagem exclusivamente por dentro do nariz. A evolução das cicatrizes passa por várias fases, que incluem a modificação da sua cor, forma e textura, tornando-se definitiva entre o décimo segundo e o décimo oitavo mês após a cirurgia. Até que as cicatrizes completem a sua evolução, recursos cosméticos, como maquiagem, podem ser utilizados visando disfarçá-las. Devemos considerar, entretanto, que todas as cicatrizes são permanentes, e que terão uma evolução variável, conforme características individuais de cada paciente.

Anestesia. A rinoplastia poderá ser realizada com anestesia geral, ou com anestesia local e sedação.

Tabagismo. Pode influenciar direta e negativamente no resultado da cirurgia. Deve ser evitado ou reduzido ao mínimo.

Dor. Geralmente o desconforto é discreto, bem tolerado e controlado com analgésicos e anti-inflamatórios.

Internação. A alta hospitalar geralmente ocorre no mesmo dia da cirurgia. Providencie um acompanhante por ocasião da alta.

Duração da cirurgia. Em geral, o tempo cirúrgico gira em torno de duas a três horas. Considera-se como sendo ato cirúrgico o período da efetiva realização da intervenção. Esse tempo pode variar de acordo com a necessidade de cada caso ou em decorrência das associações cirúrgicas. Não deve ser aqui considerado o período de preparo pré e pós-operatório, nem o período em que o paciente permanecerá na sala de recuperação.

Drenagem linfática. Indicada nos casos nos quais houver edema e equimoses (manchas roxas) mais acentuados.

Planejamento. O nariz é a estrutura mais central e proeminente da face e lhe confere equilíbrio e harmonia. Deve sempre ser avaliado dentro de um contexto de naturalidade e proporcionalidade, respeitando-se o biotipo e os tipos raciais de cada paciente. As características da pele (espessura, textura, etc.) influenciam sobremaneira o resultado, de tal forma que pessoas com pele espessa dificilmente terão um nariz afilado, por mais que as estruturas internas rígidas sejam adelgaçadas.

O planejamento cirúrgico é feito durante a consulta e discutido com o paciente minuciosamente que, dessa maneira, tem a oportunidade de se expressar com relação à proposta cirúrgica.

Resultado. Nos primeiros dias é usual a ocorrência de edema (inchaço) e áreas de equimose (mancha roxa), todas elas de natureza transitória. Um prenúncio de resultado poderá ser visto com um mês de pós-operatório. Contudo, algum grau de edema residual poderá perdurar por até três meses. De qualquer forma, nunca se deve considerar como definitivo qualquer resultado antes de seis a nove meses do pós-operatório. Mesmo depois de transcorrido esse período, a(as) cicatriz(es) continuará(ão) evoluindo aproximadamente até o décimo oitavo mês do pós-operatório. Alcançada a estabilidade evolutiva, o resultado persistirá por muitos anos, estando sujeito apenas a alterações tardias relativas ao seu desgaste natural, como o adelgaçamento das cartilagens e as alterações da espessura da pele.

Associações cirúrgicas. As associações cirúrgicas são comuns, principalmente se houver algum tipo de disfunção respiratória relativa a outras estruturas nasais, como o septo, cornetos e as válvulas nasais. Cirurgias em outros segmentos corporais poderão também ser associadas.

PRÉ-OPERATÓRIO

O uso rotineiro de qualquer tipo de medicação, doenças prévias e tabagismo deve ser informado. Medicamentos que possam interferir com a coagulação sanguínea devem ser suspensos dez dias antes da data programada para a realização da cirurgia. Comunique qualquer sinal de resfriado, conjuntivite, herpes ou outras infecções que surgirem na semana anterior à cirurgia. Informar a possível coincidência entre a data da cirurgia e menstruação.

Antevéspera da cirurgia

Higienizar a face com sabão antisséptico.

Véspera da cirurgia

Higienizar a face com sabão antisséptico.

Jejum de sólidos e líquidos por oito horas antes do horário previsto para a realização da cirurgia.

Evitar refeições de digestão lenta e bebidas alcoólicas.

Dia da cirurgia

Higienizar a face com sabão antisséptico.

Higienizar os cabelos com xampu antisséptico. Não use condicionadores ou cremes.

Apresentar-se no hospital na hora programada.

Levar para o hospital os exames pré-operatórios e cinta, modelador, meia elástica, se houver cirurgias associadas (veja orientações específicas para cada cirurgia).

Usar roupas leves, de preferência com abertura frontal.

Não levar para o hospital jóias, relógios ou outros tipos de adereços.

Medicação de uso específico e contínuo, não padronizada no hospital, deverá ser trazida pela(o) paciente.

PÓS-OPERATÓRIO

Não se preocupe com as formas intermediárias das diversas etapas do período pós-operatório. Na fase de recuperação é muito importante o controle da dieta, uma vez que a sua atividade física estará restrita. Pessoas diferentes poderão evoluir de maneira distinta, alcançando o resultado final com maior ou menor rapidez. Esclareça suas dúvidas durante seus retornos. Um certo grau de obstrução respiratória pós-operatório é esperado e geralmente decorre de edema (inchaço) das estruturas internas do nariz e desaparecerá gradualmente.

Movimentação. A movimentação do corpo é livre, evitando-se excessos. Não se levante abruptamente. Um traumatismo sobre o nariz, especialmente no decorrer do primeiro mês do pós-operatório, poderá comprometer o resultado.

Alimentação. Procure se alimentar em intervalos regulares, utilizando uma dieta leve nos dois primeiros dias.

Compressas. Evite usá-las, pois há o risco de umedecer o gesso/splint e as fitas utilizadas para fixação do curativo e do próprio nariz, podendo comprometer o resultado da cirurgia.

Banho. Livre, porém com cuidado especial de não molhar a face, especialmente na presença de gesso ou splint.

Retorno. Na maioria dos casos, haverá um retorno no primeiro, quinto e sétimo dias de pós-operatório, para retirada do tamponamento, pontos e gesso ou splint, respectivamente. Os retornos seguintes serão agendados para que seja feita a troca da fita adesiva que protege o nariz, com periodicidade programada. Se necessário, pequenas variações nessa cronologia poderão ocorrer.

Higienização. Evite assoar o nariz, espirrar com a boca fechada ou usar óculos pesados. Não manipule as crostas que se formarem. Serão receitados emolientes para instilação nas narinas, facilitando a higienização.

Sol. A exposição ao sol dever ser evitada por dois meses após a cirurgia. Após esse período, um filtro solar com fator de proteção30 é recomendado.

Atividade física. Moderada, após três semanas de cirurgia. Evitar traumatismo sobre o nariz por cerca de dois meses.

Posição de dormir. Decúbito dorsal (deitar-se de costas) com a cabeça ligeiramente elevada deve ser a posição preferencial na primeira semana. Transcorrido esse período, uma inclinação lateral leve é permitida, evitando-se o apoio do nariz. Usar travesseiro macio.

Condução de veículo. Permitida após a primeira semana.

Retorno ao trabalho. O retorno ao trabalho deverá ocorrer entre sete e dez dias, podendo haver variações individuais.

Vida sexual. Sem restrição.